Calo ou Falo
Este corte,/ A boca, /Meu melhor açoite;/Sangra palavras!
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Textos

À DEUSA DAS LARANJAS

 

As laranjas pediram-me

Como últimos desejos,

Antes da espremedura,

Que eu as lavassem na água fria

Desta que corre na torneira da pia;

 

Que cortasse com o fio

As cascas somente,

Deixando intactos os centros

E assim poupasse os gomos,

Não decepasse as sementes;

 

Que fizesse passear os bagos

Por entre as arcadas,

Abençoando-os com saliva,

Ensinando a língua da rua

Para lançá-los, depois, na terra nua.

 

Agarraram-se me aos dentes

As membranas, os alvéolos,

Julgaram-me tirânico.

Chupei delas o bagaço

Antes de lançá-las no lixo orgânico.

 

Publicado em " I Antologia Poética do Recanto das Letras, Volume 3 - 1ª Edição, Editora Recanto das Letras, pág.204. São Paulo - 2019 "

Luís Aseokaynha
Enviado por Luís Aseokaynha em 28/03/2026
Alterado em 28/03/2026
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